Bud
De mais uma agência a um ecossistema de experiências para quem se recusa a viver no automático. O reposicionamento que deu à Bud um inimigo, um credo e uma tribo.

Desafio
Como não virar mais uma agência
A Bud nasceu de uma distância. Mateus era do Sul, Sandi era de Brasília, e para se encontrarem precisavam planejar: passagens, rotas, datas. Uma viagem por mês, todo mês. Não por obrigação. Por escolha.
Os amigos perceberam que eles não só achavam boas passagens, sabiam viver enquanto viajavam. A pergunta virou recorrente, “consegue me ajudar?”, e o jeito de ser virou reputação. Quando a Bud chegou até nós, a operação já rodava, e a nota de recomendação que mais se repetia na pesquisa era 11, numa escala até 10.
O problema estava fora. O mercado inteiro falava igual: “sua agência de viagem”, “seus parceiros de viagem”. Agências médias e pequenas imitando as gigantes, sem o orçamento das gigantes, brigando pelo mercado inteiro e sem ganhar fatia nenhuma. E o crescimento da Bud ainda dependia da rede de contatos dos fundadores.
Mapeamos os territórios já ocupados:
CVC. Tempo de mercado e orçamento para sustentar o topo do genérico.
Decolar, Booking. Donas do digital e da resolução rápida.
Muitos tentando, poucos conseguindo, todos desgastando a mesma fatia.
Nicho pequeno e já dominado.
Não havia espaço vazio no mapa. Era preciso jogar outro jogo.
Pesquisa
Gente que se recusa a viver no automático
Fomos a fundo no público. As pessoas já não viajam por necessidade, viajam pela experiência. E entre os perfis de viajante, um grupo crescia sem que nenhuma marca falasse com ele.
Jovens adultos de 25 a 35 anos, duas a três viagens por ano, que viram gente demais vivendo no automático, esperando o fim de semana e as férias. Para eles, “viver” virou uma forma de rebeldia contra o roteiro nascer, estudar, trabalhar e morrer. Nós os nomeamos: os Despertos.
valorizam experiências acima de bens materiais
buscam destinos menos turísticos
querem ver o inusitado
Fonte: Pesquisa de Público Bud, 2026.


Estratégia
Viajar virou o meio. Viver, o fim.
O mercado vende viagem, a entrega racional. A Bud passou a entregar o que os Despertos procuram de verdade: a sensação de estar vivendo, e não sobrevivendo. A viagem virou o gatilho. O estilo de vida, o ponto.
Isso tirou a Bud do jogo das agências e a colocou num território que ela ocupa sozinha, com o posicionamento inteiro construído em torno de uma palavra: Impacto. Colidir com o mundo e voltar diferente.
Na prática, a Bud parou de se apresentar como quem organiza viagens e passou a se apresentar como quem acorda nas pessoas a vontade de estar vivo. Deixou de disputar o mercado inteiro para falar com um público só, para quem a viagem é a desculpa e a vida é o assunto.
A personalidade acompanhou a virada. A Bud ganhou o jeito de quem escolhe bem para viver com intensidade: jovem, leve, pilhada, sem a formalidade que trava. E ganhou um inimigo claro, a vida no automático, aquela em que se sabe exatamente o que espera amanhã, na semana que vem e no ano seguinte. Toda decisão da marca passou a ser tomada contra ele.

Manifesto
Quando foi a última vez que você voltou de algum lugar diferente de como foi?
A vida moderna é muito boa em uma coisa: te ocupar tanto que você para de sentir.
Reunião. Almoço. Série. Dormir. Repetir.
Tem gente que chama isso de crescer. A gente chama de desperdício.
Você nasceu pra colidir com o mundo. Pra voltar diferente.
A pergunta é: quanto tempo ainda vai esperar?
Naming
O parceiro, não o fornecedor
Bud é inglês para parceiro, o “buddy” dito entre amigos. O nome traduz a relação que a marca constrói com cada explorador: aquela trip não é só dele, é nossa também.
É o parceiro que cuida para que tudo esteja em ordem, não porque quer aproveitar, mas porque o prazer está em ver o outro aproveitando. Curto, sonoro e próximo, o nome entrega a promessa antes da primeira conversa.



Identidade verbal
Fala como amigo. Convoca como quem já está na estrada.
A voz da Bud tem três tons: energético, informal e parceiro. Não opera em volume baixo, mas também não grita. A energia vem da cadência, não do excesso de exclamações. A linguagem é direta, sensorial e imperativa: a Bud não pede permissão, convoca.
Vai. Vive. Volta diferente.
Seu próximo destino já tá te esperando. Vai ficar aí?
Desliga o piloto automático.
O vocabulário também saiu do padrão do mercado. Viagem virou trip, cliente virou explorador, e quem cuida de cada trip deixou de ser gestor para virar guia. Pequenas trocas que, repetidas em todo contato, fazem a Bud soar como ninguém mais no setor.



Identidade visual
Impacto como linguagem
A identidade parte da ideia de viver como uma colisão intencional com o mundo. O sistema bebe do universo outdoor e da cultura de deslocamento: placas de estrada, etiquetas de bagagem, selos, tickets e patches. Não como nostalgia, mas como códigos reinterpretados com olhar contemporâneo.
O logo se comporta como um selo, algo que autentica e marca passagem. Os verdes e terrosos trazem a marca para o real, e o laranja entra como ponto de impacto, a cor que quebra a inércia. A tipografia vem da sinalização: direta, legível, com peso e ritmo.








Experiência
Do primeiro contato ao convite para a tribo
Redesenhamos a jornada inteira, do primeiro contato à fidelização. A Bud deixou de depender do boca a boca dos fundadores, passou a apresentar três cenários de orçamento logo no primeiro contato, como a própria pesquisa pedia, e trocou a gestão de passagens pela curadoria de vivências.
Sobre essa jornada, criamos momentos pensados para virar memória. Antes de embarcar, quem fechou uma trip conhece quem vai no mesmo período, num encontro com a cara da Bud, e já se sente parte antes de ir. No meio da viagem chega uma surpresa escolhida para aquele destino e aquela pessoa, como uma aula de surf ao pôr do sol ou um mirante que só quem é de lá conhece. E na volta, no lugar de um formulário de avaliação, vem o convite para a comunidade, com as memórias da jornada.
A trip deixou de terminar no desembarque.



Comunidade
Uma tribo para quem escolheu viver
Comunidade é o que transforma consumidor em membro, e a Bud já tinha uma origem que valia ser contada: dois jovens que não aceitaram a distância, uma viagem por mês, um Tomorrowland organizado para um grupo inteiro de amigos. Essa história virou o ponto de partida da tribo.
A partir dela, a marca ganhou uma crença que qualquer explorador consegue repetir, Living is a Bold Choice, e um papel novo para os fundadores: Mateus e Sandi deixaram de ser a Bud para se tornarem os primeiros a segui-la. Os selos e adesivos viraram sinal de quem faz parte, os embaixadores passaram a carregar a cultura adiante, e ficou claro também quem está do outro lado: quem trocou o impacto pela segurança do previsível. A Bud não briga com essas pessoas. Só não fala com elas.






A transformação
Uma operação que dependia da reputação de dois fundadores virou uma filosofia que qualquer explorador pode carregar. A Bud deixou de disputar o mercado inteiro e passou a falar com um público só, do jeito que ninguém mais no setor fala.
Living is a Bold Choice.
Escopo do projeto
- Pesquisa de mercado e público
- Posicionamento
- Naming
- Identidade Verbal
- Identidade Visual
- Experiência e Jornada
- Brand Moments
- Comunidade
- Manifesto

